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  • ericagonsales

Sex Tape

Chamei o cara que comeu meu cu semana passada pra me comer hoje, no mesmo dia que te vi. Vou transar com ele na minha cama ainda com teu suor ali. O travesseiro ainda tá úmido. É como se quisesse fazer dele uma extensão de você, consumir o tesão que você deixou em mim. Como se fodesse com você junto, olhando pra você, pra saber que sou sua. Dessa vez não vou deixar no cuzinho, porque hoje foi teu. Mas vou deixar bater na minha cara, porque eu gosto, e porque me faz lembrar de você. Vou mandar ele me chupar, imaginar que você vê. Vou transar com esse cara dum jeito de continuar fodendo com você. Dá pra entender? Queria mesmo que você voltasse, que você estivesse sempre junto em todas as minhas transas. Na verdade você está junto em todas as vezes que fodo. Sua voz fica no meu ouvido dizendo o que quero ouvir. Você sempre está me vendo e me olhando como quem diz "você é minha".


Acabei tomando banho, mas tive o desejo de transar com ele com seu suor ainda grudado na pele. Posso ver as gotas do seu suor pingando em mim, você se derretendo em mim. Amo lamber e me lambuzar com tua porra, teu suor, tudo que sai de você. É tudo delicioso, cheiroso, suculento. É como se quisesse sorver tudo, o pau com o saco, os pelos com o suor, a barba boca dentes. Por isso pego e beijo e lambo com tanta vontade. Por isso passo a mão no seu rosto molhado e quero lamber depois. Todo gosto que é seu quero aproveitar.


Eu amo transar com você. É quando não existe passado nem futuro, é tudo sobre aquele momento, aquele espaço em que nada mais existe. É o lugar sem tempo, onde olhar nos olhos diz tudo, e as frases de amor pornográfico que dizemos significam mais. É um filme, quando tudo para, aquela história acontece sem pertencer a mais nada. Quando a sessão acaba estamos remexidos e com dificuldade de acostumar à luz do mundo real.


Cena de A Insustentável Leveza do Ser, de Philip Kaufman, baseado no livro de Milan Kundera

Não se pode viver na sala escura do cinema. Mas isso não impede que a gente tente voltar pra ela sempre que possível. O Truffaut passou a infância e a juventude toda se refugiando em quantas sessões de filme pudesse, pra parar o tempo em outros lugares que não fossem o dele. Era uma fuga genuína pra viver duas horas sem medo, sem passado e sem futuro. Só viver fazendo algum sentido. O fim de cada filme nos deixa uma ausência repleta. Dos sentimentos e sustos e entregas. Da jornada, do mergulho, das músicas, do ar que faltou, da lágrima que escorreu, do sorriso que brotou como entendimento sutil da emoção. Você e eu somos uma sala escura onde a gente projeta a mesma história juntos, onde é possível tudo acontecer. Só não é possível não ter fim.

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