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  • ericagonsales

No ar desconexo

Acordei cheia de raiva e indignação, então fui recolher as páginas de escritos meus que havia rasgado do chão do quarto e molhar as plantinhas. Limpei a mesa. Tomei banho. Saí com a minha melhor raiva e com todo o meu amor.


Tinha acordado no meio da madrugada em uma poça de sangue na cama, de um jeito que poderia facilmente ter levado uma facada na barriga, mas era só menstruação mesmo. E bêbada de sono eu tive que levantar, tomar banho, limpar tudo e odiar todos os homens cujas vidas são muito mais fáceis porque eles têm um pau e não tem buceta útero ovulação. Vocês não aguentariam um dia sendo mulher, seus covardes.


(eu amo muitos de vocês, mas me deixe odiar em paz).


Minha internet foi cortada e fui pra um café com wi-fi tomar machiatto. Porque mesmo com conta atrasada eu continuo metida, fingindo que sou rica. Consegui pagar varias contas, a internet vai voltar em até 3 dias – vcs vão tomar no cu que demoram tanto pra religar um serviço. Sim, eu acordei cheia de indignação. E vou xingar o dia todo. Ainda mais agora que deu cólica.


Depois de quase um mês, me masturbei de manhã. Misturei lembranças de um cara doce com um homem desconhecido que inventei pra dizer e fazer o que eu queria. Foi um bom sinal ter tesão de novo. Um sinal de que minha essência tá viva. Um sinal de que eu ainda sou eu. Uma mulher selvagem que ama e sangra demais, que odeia com força suficiente pra continuar.

Cena de Lucía e o Sexo, de Julio Medem

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